quarta-feira, 3 de março de 2021

RITA QUEIROZ PREPARA VÍDEO DOCUMENTÁRIO COMO MESTRA DA CULTURA POPULAR

 

RITA, A MESTRA DA CULTURA

Em um dos editais, o 081,  voltado para a arte popular, a Superintendência da Juventude, Cultura, Esporte e Lazer (Sejucel) divulgou um chamamento para a primeira edição do Prêmio Mestre Aluízio Guedes, uma premiação para mestres e mestras da cultura popular de Rondônia, a fim de  atender os editais emergenciais da Lei Aldir Blanc. Baseada na sua vivência com a cultura e a arte popular, Rita Queiroz apresentou uma proposta que foi classificada e está produzindo um vídeo documentário  intitulado  Artista Plástica Rita Queiroz - A jornada da cabocla em Rondônia e um portfólio, como exige o projeto.

De acordo com o regulamento, este prêmio é dedicado à pessoa física que seja herdeira dos saberes da cultura popular, que detenha notório conhecimento, longa permanência na atividade, e que seja reconhecida por sua própria comunidade como referência na transmissão de saberes, celebrações ou formas de expressões da tradição popular em suas diversas categorias.


O saber não ocupa lugar,  Mestra Rita Queiroz  (Foto da galeria do site da artista)

Rita Queiroz faz jus ao prêmio porque é considerada por muitos como uma das mais importantes artistas plásticas do estado de Rondônia. Possui efetiva participação em inúmeros projetos socioculturais, e tem contribuído significativamente para a democratização dessas atividades em escolas, praças públicas, presídios e hospitais psiquiátricos. Em várias oportunidades trouxe para Rondônia profissionais de outros estados, impulsionando a disseminação do conhecimento e o intercâmbio cultural.

Com o apoio do Ministério da Cultura, seu último projeto foi a implantação de um Ponto de Cultura no Seringal Santa Catarina, às margens do Rio Madeira, que atendeu moradores da região. E, com o objetivo de beneficiar a comunidade ribeirinha, promoveu inúmeras atividades  com foco na inserção social e sustentabilidade.

No decorrer de sua carreira realizou inúmeras exposições no Brasil e no exterior sempre divulgando uma imagem positiva do Estado de Rondônia e a representatividade da Amazônia em suas obras. A maioria de suas iniciativas ocorreu com recursos próprios e sem fins lucrativos.

Além disso,  manteve ativa participação nos movimentos culturais do Estado nas últimas décadas, o que a habilita a receber o título de  Mestra. Com seu trabalho de  produção artística, tendo como tema principal a Amazônia e os ribeirinhos, ensinou a muitos sobre o resgate e a preservação da história da região.

A empatia de Rita com a população mais carente  fez dela uma pessoa querida e admirada não apenas no meio artístico, mas pela mídia, por políticos, escritores, professores, jornalistas, bem como pela comunidade em geral. Rita Queiroz, ao difundir seus projetos socioculturais, vem contribuindo muito para a formação social, cognitiva e produtiva do Estado de Rondônia.

 

Aluízio Guedes

Aluízio Batista Guedes, que dá nome ao prêmio, é reconhecido como menestrel da cultura popular. Atuante e grande defensor do folclore e em especial, da brincadeira de boi-bumbá em Porto Velho. Atuou como Amo Mor do Boi Diamante Negro, compositor, professor, folclorista, além de fundador de grupos folclóricos. Também era  radialista e músico cultural. Ocupou a cadeira de presidente interino da Federação de Quadrilhas de Rondônia.

 



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

KARITIANA EXPÕE ARTESANATO NA SETE DE SETEMBRO


Colares e brincos de sementes de açaí e  abacaba  

A produção e venda de artesanato tem sido o meio de vida de muitos indígenas que têm trocado as aldeias pela vida urbana. Raimunda Karitiana é uma dessas. Juntos, ela e a família produzem artesanato  para uso pessoal e peças decorativas. 

Dona Raimunda Karitiana é uma indígena da etnia karitiana, como seu nome já diz. Junto com a família ela mora em Porto Velho e trabalha com artesanato indígena. Suas peças ficam expostas na avenida Sete de Setembro, em frente à Galeria do Clube Ferroviário.

Maracas feitas com coco, cabaça e coco de anta

Brincos, maracas, prendedores de cabelo e cocares são alguns dos produtos produzidos e comercializados por  ela, cujos preços variam de 10 a 800 reais.

Sementes de abacaba, açaí, pedras de jarina, naja, coco, goiaba de anta, penas de mutum e arara são algumas das matérias primas utilizadas.





Brincos

Os índios karitianos vivem no município de  Porto Velho. A aldeia central está localizada a cerca de 100 km da cidade, lá vive a maioria da etnia, que hoje, de acordo com a Funai tem pouco mais de 300 pessoas.  Devido a proximidade da cidade com a aldeia é muito comum a presença deles na cidade, especialmente na região do Centro.


A karitiana Raimunda e seus cocares de com penas de mutum e de arara

 Quem estiver interessado em artesanato indígena pode também pode procurar d. Raimunda em casa, no bairro Baixa União, próximo a Feira do Produtor. Ou entrar em contato pelo telefone (69) 99299-2154.


Os artesanatos são vendidos na avenida Sete de Setembro em Porto Velho



segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

RITA QUEIROZ PREPARA LIVRO SOBRE SUA ARTE

 

O livro Andando pelas Picadas - Arte e Vida da artista plástica Rita Queiroz é o relato de eventos vividos por ela desde a primeira exposição em 1978 no Selton Hotel em Porto Velho. "Nem tudo está sendo tratado nesta publicação, mas abordamos alguns acontecimentos interessantes", adianta a artista. 

                                                                     Mistério da noite

Andando pelas Picadas – Arte e Vida da artista plástica Rita Queiroz. Este é o título do livro que será lançado, provavelmente em abril, por Rita Queiroz. Ele faz parte do   projeto que atende ao edital nº   86/2020/Sejucel-Codec 1ª edição Marechal Rondon do edital de chamamento público para publicação   e difusão de expressões culturais da Superintendência da Juventude, Cultura, Esporte e Lazer (Sejucel).

                      Seringal Santa Catarina

O projeto consiste na elaboração e publicação de um livro inédito impresso sobre a artista plástica rondoniense Rita Queiroz para distribuição gratuita em escolas públicas, universidades, bibliotecas, centros de cultura, fundações e associações de cunho cultural e museus do Estado de Rondônia.

A iniciativa do governo, baseada na lei Aldir Blanc, uma vez que o projeto tem como fonte principal de recursos o governo federal, tem como objetivo  fomentar a leitura e aproximar os leitores dos conhecimentos sobre a arte e a cultura rondoniense, promover a difusão de expressões culturas no âmbito das artes plásticas, democratizar o conhecimento por meio da distribuição gratuita dos livros publicados, atuar como ferramenta para ações educativas e novas iniciativas no campo de projetos sócio culturais  e estimular a preservação ambiental e identidade cultural por meio da arte, lendas e folclores populares. De acordo com a artista, o livro tem potencial para gerar interesse em um amplo público incluindo  artistas,  gestores culturais, professores, jornalistas, ambientalistas, historiadores, pesquisadores, entre outros, mas o alvo principal  é população em idade escolar, em especial jovens. 

                   Por do sol no seringal

De acordo com o edital da Sejucel, o projeto trata    da publicação de  um livro sobre a artista plástica rondoniense, pioneira no movimento cultural do Estado desde a década de 70, que se tornou uma personalidade de grande notoriedade, reconhecida e premiada pelos seus trabalhos que sempre revelam grande preocupação com a preservação e valorização da cultura regional. “Não é uma biografia, mas o relato de minhas experiências ao longo de mais de 40 anos de dedicação às artes”, declara Rita Queiroz. Segundo ela, que está trabalhando incansavelmente para atender o prazo da Sejucel,  o livro terá textos e ilustrações de suas obras. “Estou preocupada em fazer um trabalho bonito e agradável para que as pessoas tenham prazer em manusear”.

Andando pelas Picadas – Arte e Vida da artista plástica Rita Queiroz, certamente vai confirmar a importância que a artista tem  para o cenário cultural não só de Rondônia, mas para o país. E a publicação de um livro inédito sobre sua jornada como artista plástica, contribuíra para a preservação da memória e patrimônio cultural da   Amazônia.

Fotofrafias do site www.ritaqueiroz.com.br


PESQUISADORES APONTAM A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DA ARTE REGIONAL NA ESCOLA

A arte, segundo Rita Queiroz, muda o ser, experiência que ela tem de si própria. Por isso é uma antiga defensora de que, especialmente  as pessoas que vivem em qualquer  grau de vulnerabilidade, como crianças, apenados, menores infratores,  pacientes psiquiátricos entre outros, necessitam de alguma forma de envolvimento com a arte. Em um artigo acadêmico especialistas em educação da Universidade Federal  de Rondônia e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia  defendem a importância do ensino da arte em sala de aula, em especial no ensino fundamental,  e indicam, que o  melhor investimento deve ser feito com os artistas regionais, com os quais os alunos se identificariam com maior facilidade. 

                                                               

A artista Rita Queiroz  em ação

A Revista Gestão Universitária, uma publicação especializada em artigos universitários,  publicou em sua edição de novembro de 2019 um artigo acadêmico, produzido por meio de pesquisa bibliográfica, que procura apresentar a Arte na Geografia Cultural, mostrando que é possível obter aprendizagens significativas no espaço escolar, a partir de aspectos artísticos culturais, utilizando como exemplo a leitura das obras da artista plástica e escritora Rita Queiroz.    

De acordo com as pesquisas desenvolvidas pelos educadores, a escola é um local propício para ensinar e aprender arte. Confirmando um dos pensamentos de Rita Queiroz que há muito defende a necessidade de interação  entre a escola e a arte, tanto que tem insistido junto à rede escolar e aos professores que levem seus alunos às exposições e que lhes oportunize uma vivência maior com a arte.

O principal objetivo do artigo foi traçar um paralelo entre a obra de Rita  e as possiblidades de leituras em arte nos espaços escolares, valorizando as identidades regionais em contextos amazônicos. Salientando que “nesse aspecto, podemos tecer alguns questionamentos, a saber: é possível obter aprendizagens significativas no espaço escolar a partir de aspectos artísticos culturais, levando em consideração a leitura das obras de arte da artista plástica e escritora Rita Queiroz?”

”Rita Queiroz é a representação da mistura da mulher nativa, originária dos seringais rondonienses, com a mulher de hoje, que circula pelas nossas ruas, num misto de floresta com modernidade. Essa mulher convive com a vida moderna e com a arte, levando o mundo ribeirinho além das fronteiras regionais, sem perder a referência cultural. A sua arte é voltada para as imagens regionais, a poeticidade transforma-a em uma cabocla urbana”, é um ponto de vista citado no estudo, baseado  no que escreveu Nilza Menezes no livro que conta a vivência da artista plástica na região ribeirinha onde nasceu, às margens do Rio Madeira. Para os autores, Nilza aponta para o início de um novo ciclo na vida de Rita, agora o urbano. “Quando ocorre a mistura de modelos culturais, aflorando nela o perfil artístico. No caso a arte torna a manifestação regional mais evidente, com uma raiz cabocla que incomoda o tipo padrão, essa padronização por muitas vezes lhe impusera apagar os traços regionais por conta dessa cultura ser interiorana, caipira e ridícula”. Citando outro autor, desta vez  Roque Laraia, os autores do artigo acadêmico destacam o que escreveu Laraia dizendo  “trata-se de  uma   visão etnocêntrica que forçosamente conduz ao estranhamento e a negação da cultura do outro: A nossa herança cultural, desenvolvida através de inúmeras gerações, sempre nos condicionou a reagir depreciativamente em relação ao comportamento daqueles que agem fora dos padrões aceitos pela maioria da comunidade. Por isto, discriminamos o comportamento desviante”. Enquanto para Nilza, Rita Queiroz é a artista do mundo beradeiro, que recria através da arte as paisagens, os lugares, onde a inspiração é a própria natureza, verdadeira mulher rondoniense que transita entre o ribeirinho e o urbano.

                                         Mulher beradeira, obra de Rita Queiroz analisada no artigo

“Ensina-se a gostar de aprender arte com a própria arte, em uma orientação que visa à melhoria das condições de vida humana, em uma perspectiva de promoção de direitos na esfera das culturas (criação e preservação), sem barreiras de classe social, sexo, raça, religião e origem geográfica”, destaca ainda o artigo. Sintetizando que na medida em que propomos uma análise visual da obra de arte realizada pelo educando, garantimos abertura para uma imensidão de interpretações, evocamos aspectos de identidade cultural e pertencimento da relação espaço e paisagem.

 A criação, leitura da obra de arte e sua contextualização designam os componentes do ensino ou aprendizagem, seguido da sistematização. A leitura da imagem se torna real, quando se estabelece relações com a realidade e o contexto presente ou oculto na imagem, na tentativa de compreendê-la e resolvê-la. “É um momento criativo, imaginário de transformação e criação, criar autentica o ser, altera o seu cotidiano. O reconhecimento de ser e estar nos remete ao sentimento de pertencimento ao meio amazônico, de modo a incorporar os elementos estéticos presentes, com a finalidade de ensinar a olhar esteticamente, aprender a utilizar procedimentos de representação, interpretação do meio e valorizar as intervenções ambientais”. Nesse sentido, existe uma possibilidade de abordar questões que refletem a realidade amazônica, da figura do caboclo, do seu contato direto com a floresta e os rios, dos mitos e lendas que permeiam a vida, salienta o artigo.

São analisadas três obras de Rita Queiroz, sempre nesta perspectiva da arte na geografia cultural,  em uma das quais a artista retrata  o drama da mulher beradeira diante de sua vulnerabilidade e, muitas vezes, tratada como “mercadoria, assim como óleo, sal e farinha”; a tela  Igarapé Mururé  destaca as figuras de uma ave, uma menina  duas  casas e uma igreja, que  mostram a integração harmônica do homem e da natureza, o homem integrado, inserido, como um animal que se funde com o ecossistema. E a tela que retrata o surgimento do Círio de Nazaré, com uma Maria cabocla e rodeada de animais, ambientando a presença da mãe de  Jesus na própria Amazônia, como destaca Rita.

                       A tela o Círio de Nazaré também faz parte da análise das obras de Rita Queiroz

“As artes sempre estiveram presentes na humanidade, cada um de nós traz em si diferenças únicas, interligadas ao senso estético e artístico, pois, sabemos que a Arte se organiza de forma abrangente por se relacionar de forma intercultural e multicultural, propondo, através dos educadores, atingir interpretações de leituras de mundos, identificando elementos que fortaleçam uma visão mais aprimorada e reflexiva, valorizando os detalhes de uma composição e relação analítica para potencializar uma consciência critico-social sobre os elementos de observação.                                       A aprendizagem dentro das leituras visuais, efetiva a cooperação de valorizações e identidades como maneira de interpretação e ação criativa. Nesse sentido, é importante propiciar aos alunos a realização de atividades de apreciação e leitura que conduzam a uma nova realidade, ou ressignificação dentro de lutas na valorização de suas identidades espaciais e valorização de suas identidades culturais de vivências. Assim, ao realizar o trabalho de análises das obras da artista pioneira do estado de Rondônia: Rita Queiroz e das identidades de seus povos, esta leitura pretende engrandecer os significados de utilização da leitura nas artes visuais dentro do espaço escolar.                                                      Sabemos ainda que existe um grande número de artistas nos livros didáticos e na internet, mas pesquisar e orientar os alunos no aprendizado, principalmente, no ensino fundamental das artes regionalistas de pessoas que compõem nossa existência local como identidade, é enriquecer nossos critérios de defesa e soberania. Segundo alguns referenciais da base curricular nacional, a integração do ensino de arte potencializa aspectos sensíveis, afetivos, intuitivos assim como promove a socialização no sentido de proporcionar leituras e julgamentos com melhor base de investigação, tanto no contexto histórico das abordagens femininas, como também no meio ambiente (cujo destaque nos meios de comunicação, informação nos dias de hoje, às vezes o exacerba), demonstrando na obra da artista uma atemporalidade e nas culturas simples que estão se perdendo ou sendo revisitadas, devido ao meio social dinâmico das tecnologias e à falta de privacidade.


                                                       Igarapé Mururé presente no estudo 

Além disso, outra percepção que tivemos ao analisar as obras de Rita  Queiroz foi quanto aos temas tratados em suas obras de arte, eles oscilam entre o sagrado e o profano em uma crise que existiu no barroco com o dualismo, observamos ainda que em nossa contemporaneidade vivenciamos embates dualistas, os quais percebidos, por meio dessas obras, nos fazem refletir. Assim, trabalhar com Rita Queiroz é fecharmos um ciclo de continuidade e de esperança em uma geração que possa valorizar, como ela valoriza, suas visões de forma sensível; nas artes, na literatura, na escultura, visitando concertos, teatros, museus etc, ou seja, tudo que valorize nossa identidade humana, cujo alicerce se embase, especialmente, na cultura artística, local, regional e amazônica”, finalizam os autores.

“É importante propiciar aos alunos a realização de atividades de apreciação e leitura que conduzam a uma nova realidade, ou ressignificação dentro de lutas na valorização de suas identidades espaciais e valorização de suas identidades culturais de vivências”.

O artigo foi elaborado pelos seguintes pesquisadores: Fernando Ferreira Pinheiro - Mestrando em Educação Profissional – UNIR e, Professor de Arte no IFRO  (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia)– Campus Ji-Paraná. Marinho Celestino de Souza Filho -  Mestre em Linguística – UNIR– Campus Guajará-Mirim e, Professor de Língua Portuguesa no IFRO– Campus Ji-Paraná. Reginaldo Diógenes de França -  Mestre em Educação Escolar – UNIR – Campus Porto Velho e Professor de Geografia no IFRO. Carlos Alberto Bosquê Júnior - Mestrando em Educação Profissional – UNIR e, Professor de Arte no IFRO – Campus Ji-Paraná. Clarides Henrich de Barba -  Doutor em Educação e, Professor de Filosofia – UNIR - Campus Porto Velho e Aroni Matos de Oliveira - Mestrando em Educação Profissional – UNIR - Campus Porto Velho e Professor de Educação Física da Rede Pública do Estado de Rondônia.   

O grupo analisou  16 autores, entre os quais: Bueno, Maria Lúcia Adriano, Leitura de Imagem. Chaves, Maria R.; Lira, Talita M. Comunidades ribeirinhas na Amazônia: organizações socioculturais e política. Iavelberg, Rosa. Para gostar de aprender arte - sala de aula e formação de professores. Menezes, Nilza; Queiroz, Rita O gosto do aluá.  Albuquerque, J.; Nascimento A. A. C. Territorialidade cultural em tempos de globalização: uma análise da atuação do estado em centros culturais. Laraia, Roque, Cultura: Um conceito antropológico.

 “Ensina-se a gostar de aprender arte com a própria arte, em uma orientação que visa à melhoria das condições de vida humana, em uma perspectiva de promoção de direitos na esfera das culturas (criação e preservação), sem barreiras de classe social, sexo, raça, religião e origem geográfica”.

sábado, 23 de janeiro de 2021

ARTISTA RITA QUEIROZ ATUA EM OUTRAS ATIVIDADES NO PERÍODO DE ISOLAMENTO SOCIAL

 

Devido à Pandemia, há um ano a artista não supervissiona  sua exposição permanente Descamação Celuar no Museu da Memória Rondoniense


Rita, vivendo isolamento social continua trabalhando, desta vez com projetos para um  livro e vídeos patrocinados pela  Lei Aldir Blanc, através dos governos federal e do Estado. (Foto: Divulgação)

Andando pelas Picadas
 Vivendo sob clausura desde o início da pandemia do Covid-19, a deusa dos pinceis está trabalhando em um projeto audacioso, um não, melhor corrigir e dizer três ou quatro. O principal deles é o livro no qual contará toda sua trajetória de 40 anos de envolvimento com as artes plásticas.

Rita está preparando um livro, cujo título preliminar é Andando pelas Picadas – Arte e Vida da Artista Plástica Rita Queiroz. A publicação será dirigida  aos jovens em idade escolar, todavia com potencial para gerar interesse entre artistas, gestores culturais, professores, jornalistas, ambientalistas, pesquisadores, historiadores e outros.  Nele, além da vida da pintora, também serão abordados aspectos do contexto social de cada período, ao longo dos 40 anos de atuação da artista.

A publicação faz parte de um projeto governamental coordenado pela Superintendência da Juventude, Cultura, Esporte  e Lazer (Sejucel), cuja proposta inscrita pela pintora foi aprovada. Serão mil exemplares destinados a distribuição gratuita  em escolas públicas, universidades, bibliotecas, centros culturais, fundações, associações de cunho  cultural, museus e outras entidades afins estabelecidas em Rondônia.

“Não será um livro tradicional com longos textos, mas com muitas ilustrações e imagens”, explica a autora. Segundo ela, estão engajadas neste projeto a filha Luna Pini e as netas Luna Lorena e Ana Rita, além da jornalista Alice Thomaz.

Outros projetos

Rita abraçou todos os projetos como um grande desafio. Por telefone instrui seus colaboradores, enquanto ela mesma se ocupa de alguns detalhes. Além do livro, estão sendo elaborados três vídeos nos quais são destacados os trabalhos desenvolvidos ao longo das últimas quatro décadas. A Coleção Descamação Celular, que estreou em  2009 e que está no Museu da Memoria Rondoniense, é uma das molas principais dos vídeos.  “A aprovação nos editais foi uma coisa muito boa, porque além  de me ocupar a mente, também está  me dando mais uma oportunidade de mostrar um pouco da nossa história, das batalhas que travamos para vencer todos esses anos”.

Os projetos são da Lei Aldir Blanc, patrocinados pelos governos federal e estadual ( por meio da Sejucel) e estão inclusos nos editais Marechal Rondon, Pacaás Nova, Mary Cyanne e Mestre Aluízio Guedes.

O Arraial e o Boi de Caixa são algumas das instalações da Coleção Descamação Celular  (Foto: A.T.)

Atenta às orientações de familiares, Rita se mantem em isolamento social desde o inicio da pandemia recebendo pouquíssimas pessoas e fazendo a profilaxia recomendada pelas autoridades sanitárias. “Na verdade não tem sido fácil, mas estamos tentando vencer este  momento que tem se prolongado e aguardando que a vacina chegue o quanto antes, para nos trazer um pouco de tranquilidade”.   

 

Os mistérios da Mata desvendados pela artista plástica que tem dedicado mais de quatro décadas de sua vida para retratar a Amazônia (Foto: A.T.)
 

Receber visitantes na exposição do Museu Rondoniense e explicar seu trabalho era uma das tarefas desenpenhadas pela aritista antes da Pandemia do Covid-19  (Foto: A.T.)
 



terça-feira, 9 de junho de 2020

SEM VELÓRIO E SEM CORTEJO

De Sansão e Pletilda a falta de velórios e cortejos para despedida dos mortos. A vida sem happy end.



Há um mês perdemos dois companheirinhos queridos, o Sansão e a Pletilda. Um seguido do outro com a diferença de apenas uma semana. Tive vontade de escrever sobre eles e sobre a perda, mas entendi então que seria um certo egoísmo de minha parte ocupar meus escassos leitores com assunto tão simplório, enquanto outros enfrentavam problemas muito maiores com perdas de ente queridos, homens, mulheres, jovens e crianças que deixam a saudade          eterna para  pais, avós, tios, irmãos, amigos e outros.  Mas hoje, ao deparar  carros funerários a caminho do Cemitério Santo Antônio, o famoso Tonhão, percebi que a morte está banalizada. Pessoas queridas se vão e não há quem faça um cortejo, quem lamente a sua partida, não porque as pessoas não desejem fazer isso, mas porque estão impedidas por causa da pandemia do Covid-19.
Estamos em guerra e assim, cada um recolha seus mortos. Os lamentos estão sendo feitos entre quatro paredes, como reza a lei do isolamento social. Situação triste, muito triste mesmo.                                                                Quando criança, morando em um bairro dormitório, aonde os moradores adultos só iam para dormir, porque trabalhavam em  locais distantes e pra completar tinha uma certa escassez no transporte coletivo, dificilmente morria uma pessoa no bairro. E se morresse alguém, virava um acontecimento, vinha gente de todo o lugar para dar condolências à família enlutada e aproveitava-se para rever os amigos, alguns distantes há anos. Em geral era preciso alugar um ônibus para levar tanta gente ao cemitério. Todos queriam ir, queriam a última despedida.  
Um dia desses uma amiga estava triste com a morte de um sobrinho de 18 anos em Fortaleza. A princípio, o menino morreu de Covid-19. Ao sepultamento compareceram a mãe e um outro familiar, cada um transportado por um motorista de aplicativo. Urna selada, sem pranteadores assim o moço foi enterrado. Duas semanas depois vem o resultado do exame médico atestando que a causa morte não foi o  corona. Imagina a dor da família? A saudade     dos amigos?
Fico imaginando como será nosso relacionamento com a morte pós coronavírus.

Sansão
Por Falar em Cachorros
Mas falando da Pletilda e do Sansão, eram ainda jovens, ele       cinco anos e ela quatro. Em plena pandemia do Covid-19 foram infectados com o vírus da cinomose. Um sofrimento para eles e para nós. Tivemos que apelar para a eutanásia. E pensar que poderíamos ter evitado ou amenizado tanta dor com uma simples prevenção, ou seja aplicando a vacina neles. Mas agora é tarde, não adianta mais lamentar, só guardar no peito a saudade que eles deixaram e lembrar de quanta falta eles fazem. O Sansão um manhoso inveterado. Dava umas uivadas muito loucas no quintal, especialmente à noite. Meus vizinhos me diziam que ele chorava muito quando eu viajava. Quando eu chegava era aquela festa. O Sansão  nos foi dado como premio de consolação.  Nossa amiga Benedita Nery tinha em casa dois cães, a  Dandara, uma pitbull com labrador e o Thollo, um pitbull puro. Eram ainda jovens, estavam na segunda cria.  Encantadas com a beleza de uma filhotinha acabamos recebendo-a como presente. Ainda estávamos descobrindo o nome da criaturinha quando a pobrezinha  desapareceu, escapou pela abertura inferior do portão e se foi. Era muito linda mesmo. Penso que alguém a levou. Benedita ainda tinha outro filhote e resolveu nos dá. Foi uma benção. Apesar de nosso olhar não ter sido      primeiro para ele, Sansão nos surpreendeu. Ganhou este nome porque era forte, parrudo, todo saradão, mesmo sendo um   bebê. Extremamente carinhoso. Lembro-me que no dia em que o levei para a castração, o jovem atendente do local lamentou profundamente pela sorte do cachorro e tentou até interceder para que eu não fizesse aquilo. Não deu certo, ele não conseguiu mudar minha opinião. Em casa já tínhamos uma cadela, a Evita e não daria certo a procriação. 

Pletilda
Depois veio a Pletilda, que também não foi escolhida. Um dia visitei uma pessoa doente e vi a cadela com duas filhotes. Achei bonitinhas. Dias depois a Cabiria, dona das cadelas me ligou implorando para ficar com pelo menos um dos animais, porque a proprietária do imóvel havia determinado que ele desse fim nos cachorros ou arranjasse outro lugar pra morar. Ficamos  com uma das filhotes, que recebeu o nome de Pletilda. Mais tarde, novamente acionada pela senhora que pedia socorro, conseguimos um lar para a mãe da filhotinha. Seu nome é Dandara e está muito bem obrigada, mora aqui na minha rua na casa da Selma que a aceitou de bom grado depois de saber que estava condenada a uma vida sem casa.
Pletilda era a que mais latia no quintal. Muito, muito barulhenta mesmo. Às vezes eu tinha que levantar de madrugada e mandá-la calar-se. Ela gostava de me espionar pela janela do quarto. Vira e mexe ela aparecia para dar uma olhada. Acho que para saber se estava tudo bem. Era a mais tímida e recatada de todos. Tarde da noite quando os soltava para dar uma voltinha na rua, ela era a primeira a retornar. Agora o quintal está silencioso, quase vazio, não fosse a presença da Evita e da   Meggie. Evita que era a líder, agora  está triste porque não tem mais a quem liderar.                                        
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Meggie
 
Evita








  


quarta-feira, 29 de abril de 2020

COVID-19, UM MAL QUE NÃO DESEJO A NINGUÉM





Um plantão inesquecível 



A princípio, aquele parecia ser só mais um plantão. Mas ao chegar ao setor de trabalho percebi uma certa tensão. A equipe que estava saindo estava preocupada e a que estava entrando estava apreensiva. O motivo era um paciente de meia idade que fora levado à clínica para um determinado procedimento, mas havia a suspeita de que ele fosse um dos primeiros infectados pelo Covid-19 a  dar entrada no hospital. Intimamente pedi a Deus proteção para todos nós e a cura para o paciente.

A verdade é que a enfermidade se instala primeiro na mente. Plantão de correria, pacientes graves e precisando da nossa atenção, medica um, socorre o outro e assim foram as primeiras horas. Mas lá no fundo do coração estava a preocupação: vou ser infectada pelo Coronavírus? Afinal, todos hão de convir que nossa preocupação fazia todo sentido. Todos os dias recebíamos notícias sobre a morte de profissionais da saúde, homens e mulheres jovens e cheios de sonhos,  alguns estavam entubados nas  UTIs.  Triste mesmo, porque nem um funeral honroso se pode ter nestes tempos.

Os dias se passaram e a doença, segundo médicos, pode levar até sete ou oito dias para se manifestar. E passado este período comecei a sentir todos os sintomas. Tentava me convencer: é só uma gripe, vou sarar logo. E os plantões continuavam. Até que não aguentei mais. Entreguei os pontos e adoeci de verdade. Passei um  dia com o celular na mão ligando para todos os números disponíveis e parecia mais fácil falar com a rainha da Inglaterra, com todo o respeito que ela merece, do que com os atendentes dos telefones listados pelos governos. Até que consegui um “alô” do outro lado da linha. Contei minha estória, os sintomas e tudo que ouvi foi um “fique em casa, ligue novamente se sentir falta de ar”. Senti um misto de decepção, desânimo e desespero. Mas fazer o quê, além de recorrer ao Todo Poderoso Deus dos Céus e Senhor dos senhores.

A noite foi das piores. Cansaço, angustia e sem saber o que fazer. No dia seguinte fui informada que não adiantava buscar socorro no pronto atendimento, sem antes ser ouvida pelo serviço de encaminhamento, que após alguns procedimentos me mandaria para  alguma unidade de saúde  Então teria que fazer a mesma via crucis  do dia anterior. Isso para ser vista por um médico. A bem da verdade, eu já tinha a solicitação de um médico para o teste do coronavírus, mas não consegui fazê-lo, a não ser que eu fosse em busca de um atendimento particular, mas ai já era demais. Tudo indicava que eu tinha sido infectada no ambiente de trabalho, ou seja: dentro do hospital e ainda teria que pagar pelo exame? Pior de tudo é que eu não dispunha do recurso e por incrível que pareça, não fosse a solidariedade de alguns amigos não teria feito o teste, que deu a sentença: POSITIVO.

Mas Deus é realmente extraordinário e a aflição das primeiras horas foram substituídas pela esperança trazida por dezenas de pessoas que ligavam, enviavam mensagens e diziam: “estamos em oração por você”.

Veio o isolamento. Que sensação triste e dolorosa saber que ninguém pode ir vê-lo e você não pode sair para ver ninguém. Em casa só eu e o marido. Ele também apresentava sintomas, mas não conseguimos o teste. Tomamos as precauções recomendadas, mas permanecemos em convivência em casa. A doença estacionou e aos poucos foi regredindo, já não sentia mais o desconforto dos primeiros dias. O que doía mesmo era a solidão, apesar de sermos dois em casa. Às vezes ficava imaginando como se sentiam aquelas pessoas contaminadas pela lepra que a bíblia tão bem relata. Viver separado por opção é uma coisa, mas por obrigação é bem diferente. 

Enquanto me recupero, não me canso de agradecer a Deus pela sua ação. Sei que muitos profissionais de saúde estão passando por uma situação muito difícil e alguns sem esperança, entre eles colegas de trabalho. Não sei se este vírus foi fabricado em laboratório, mas sei que quando Deus age o homem cai por terra. Ainda não estou cem por cento recuperada, mas creio que isso é uma questão de dias. 

Não vejo a hora de receber meus filhos e netos em casa, abraçá-los bem apertado e sussurrar em seus ouvidos um “eu te amo” bem pausado.  De abraçar os meus amigos e agradecer olhando nos seus olhos. Aprendi muito com o Covid-19 e quero ser uma pessoa melhor, muito melhor mesmo. Quanto àquele paciente, nunca fiquei sabendo se ele estava mesmo infectado, mas tudo indica que sim. Espero que ele tenha se recuperado.                                                                                                                                                            (Crônica baseada nos relatos de um paciente infectado pelo Coronavírus-19).
                     

quarta-feira, 18 de março de 2020

COVID 19


Novo Coronavírus ou Covid 19

 “No final do ano de 2019, já no mês de dezembro apareceu lá pela Ásia, mais precisamente na poderosa e populosa China um vírus, que a princípio parecia ser mais um de tantos outros registrados naquele país até então. Seu nome: Novo Coronavírus ou Covid 19. Então, se era o Novo, já existira outros antes.

Wuhan, uma metrópole com 11 milhões de habitantes, localizada no centro da China surgiu como o epicentro do 2019-nCoV,    e logo nos primeiros dias infectou cerca de 400 pessoas, atestaram as autoridades sanitárias. Depois os números foram crescentes e menos de três meses depois chegou a casa dos 170 mil infectados e pelo menos 6.850 mortos e a doença espalhou-se por 140 países.”

Este talvez seja um texto a ser  escrito daqui há alguns anos. E quem ler não vai sentir a apreensão que nós estamos sentindo hoje. Talvez como nossos ente queridos que viveram a gripe espanhola, ou um pouco mais atrás a peste negra.  Os dados certamente serão importantes para estudos, mas nenhuma ameaça para as gerações futuras.
Habitante de Porto Velho, um pedacinho de chão da Amazônia com pouco mais de meio milhão de habitantes, estou a pensar com meus botões se haverá solução para nós cidadãos que vivemos tão distante dos grandes centros, onde os recursos sanitários e de saúde ainda são precários, se teremos chance de sobreviver a um ataque de fúria do Covid 19. Ai alguém me diz: e nos grandes centros todos estão sendo atendidos? Não sei. Vivemos em um mundo moderno, onde as informações continuam muito tendenciosas. Não dá para saber com segurança em quem acreditar de verdade. Rádios, jornais, TVs e sites repetem o que dizem autoridades, algumas com uma ou outra interpretação. Quanto às autoridades, estas dizem aquilo que é conveniente dizer no momento.
Acho mesmo é que estamos em um mato sem cachorro. E melhor mesmo é a prevenção. Amigos e familiares, agora só online. Cultos e missas também online. Trabalho?  Eu já trabalho em casa faz tempo. Quem chega de viagem tem que aguardar em quarentena por pelo menos sete dias, mesmo eu não tenha sintomas. Mas ainda assim tem gente que não está atendendo a orientação. O que é lamentável, pois põe em risco a vida dos demais.
Li ou ouvi depoimentos de pessoas que estão na Itália e é de cortar o coração. Uma amiga de Treviso conta que só sai  para o supermercado uma vez por semana. Toda a família está confinada no apartamento.  Em outros depoimentos, duas brasileiras moradoras da região da Lombardia, onde o Corona está comandando a vida de todos, relataram aos amigos por meio do whatsapp, a situação sofrida e que têm vivido em  isolamento, com desabastecimento e até humilhação.
Padre Enzzo, um sacerdote que atuou em Porto Velho por cerca de 30 anos, também está na Itália onde e deu um depoimento para os amigos que cuidam da Associação São Thiago Maior, aqui na cidade, contando sobre os acontecimentos e pedindo ação dos governantes brasileiros. O religioso confirmou que protocolos médicos e hospitalares dão preferencia ao atendimento de pacientes mais jovens, em detrimento dos idosos.  Adeus prioridade para maiores de 60, 70 ou 80.
Para terminar o assunto, devo dizer que fui  ao shopping hoje, não a passeio, mas para resolver uma situação. Na entrada, antes da abertura era sempre uma muvuca de gente aglomerada esperando dar dez horas. Hoje, o que vi foram poucas pessoas e ninguém amontoado na porta principal junto ao segurança.
No interior do shopping quase um silêncio total. Lembrava até uma catedral.


Shopping de Porto Velho hoje pela manhã, movimento pequeno para início do expediente




sexta-feira, 6 de março de 2020

RECEITA LEGÍVEL, DEFENDA ESTA IDEIA



Receitas ilegíveis divulgadas na Internet

Quando uma receita pode causar danos e confusão

Sabe aquela     receita médica que você apresenta no balcão da farmácia e um vendedor fica pedindo ao outro colega para decifrar? Pois é, por lei isso não pode acontecer, porque o médico, dentista ou qualquer outro profissional habilitado para prescrever um medicamento para qualquer paciente tem que escrever o nome do remédio ou substância com toda clareza, de preferência em letra de forma, datilografado – o que não é mais o caso nos  Centros de médio e grande porte -  ou digitado eletronicamente.
O assunto parece bobo, mas é muito sério. Tanto que tem há leis para regulamentá-lo desde 1932. Mas ao que parece ainda há muitos profissionais da área de saúde usando seus próprios hieróglifos na hora de prescrever o medicamento. A má escrita nas receitas médicas foi tema de uma audiência pública realizada na Câmara de Vereadores de Porto Velho, proposta pelo  vereador Da Silva do Sinttrar e da qual participaram alguns farmacêuticos.
Regra geral uma receita não deveria suscitar dúvidas ou questionamentos, uma vez que o profissional que a prescreveu esteve face a face com o paciente, fez os questionamentos e exames de praxe, mas na hora da transcrição do nome no papel usou garranchos de tal forma que inviabilizaram o entendimento do nome do medicamento. Ele pode até ter dito o nome da solução ao paciente, mas é difícil guardar os detalhes do que diz um médico numa consulta médica, por menor que seja o problema tratado. E ai o dilema quando chega na farmácia e nem o vendedor e nem o farmacêutico de plantão consegue decifrar o enigma. Os profissionais de farmácia são orientados a não fornecer o medicamento quando há falta de clareza, para não por em risco a vida do paciente e ai só resta mesmo mandar o paciente de volta ao médico para que este refaça a receita, mas todos sabemos que isso nem sempre é possível e neste caso, muitas vezes o paciente acaba desistindo do tratamento ou passa para uma alternativa sem a receita médica, o que de certa forma também o põe em risco.
A proposta da audiência pública é a de promover uma fiscalização mais  intensa, a partir das unidades municipais, como Upas e postos de saúde, para que estes setores coloquem a disposição dos médicos recursos eletrônicos – computadores e impressoras – para emissão das receitas, de forma a não deixar dúvida.  A prática já é corrente em alguns hospitais, mas deverá tornar-se comum em todas as unidades de saúde, quer do setor público ou privado. O projeto Receita Legal é Receita Legível  original é do Conselho Federal de Farmácia, apoiado pelo Conselho Regional de Rondônia e agora também por vereadores de Porto Velho.  Quando a receita é legível ela nos dá segurança e isso é muito importante. 
Vereador Da Silva e farmacêuticos em audiência pública na CMPV